O longo caminho para casa - 2ª Parte: 40 por hora...

Quando saímos o Coelho já avisou que a viagem poderia ser demorada (como se eu já não o conhecesse e soubesse que é ÓBVIO que seria demorada). Nós saímos de Canoinhas-SC por volta das 17 horas da sexta-feira com destino a Ubiratã-PR. Tudo ia bem, apesar do caminhão não parecer ir tão bem já que no caso, me parecia que a dona Tartaruga iria mesmo ganhar a corrida com aquele "Coelho". Mas é claro que pra isso a Tartaruga precisaria ir um pouco mais devagar, senão nós nos transformaríamos em retardatários logo logo.

É lógico que como havia uma mudança em cima da carroceria (e era minha) ele deveria mesmo tomar cuidado. Problema é que o cuidado dele envolve pelo menos umas 10 horas a mais de viagem. Tinha horas que eu até parecia ver um capacete de automobilismo na cabeça dele e isso ocorria toda hora que ele se empolgava e começava a "correr" a uns 60 km por hora (Rrrrrrubens, rrrrrrubens, rrrrrrrrubens Barrichelo do Brasil!!!). E lá íamos nós sendo ultrapassados por carros, motos, outros caminhões e acho que até algumas árvores pareciam estar nos ultrapassando. Claro que eu poderia estar sendo enganado pelo sono (ou pelas árvores mesmo). Quando penso em alguém escondido, logo penso em alguém escondido e saindo de trás duma árvore gritando: "Surpresa!!!" Daí tentei não imaginar uma árvore saindo detrás de outra árvore e gritando: "Surpresa!!"

E se o sono já me fazia mal (e com a insônia que eu tenho, era óbvio que o sono ainda ia me incomodar muito), a fome também começava a cooperar para meus delírios e desespero. Começou a escurecer e enquanto o caminhão aparentemente se locomovia eu dava umas "pescadas" e parecia que iria dormir. O "movimento" do caminhão parecia estar me embalando e me fazendo aproveitar o sono para esquecer a fome. Duro é que ninguém viaja sem conversar com o "carona". O Coelho sempre perguntava ou afirmava alguma coisa, mas sempre esperando que eu dissesse algo. Claro que na maioria do tempo o "algo" que eu dizia era no máximo um "uhum" ou um "é". Creio que pra ele isso já era suficiente. Se não era, ele não reclamou e eu não mudei em nada minhas frases monossilábicas. Só disse algo mais quando, por volta das 20:45 chegamos em frente a um restaurante que tinha o atendimento e a comida de um boteco, mas com os preços de um restaurante francês. O Coelho perguntou:

-Vamos jantar agora?
-Vamos sim. (Topo, topo. Por que não? Vamo caí pa dentro!)

Adentramos o recinto já com certeza de que não iríamos comer tanto assim. Era dia do último capítulo da novela Caminho das Índias (tá, tá, tá, eu sei) e eu realmente queria assistir. Fazer o quê? Eu estava sozinho em casa nas últimas duas semanas, desempregado e sem ter o que fazer, resolvi assistir a novela e é claro que eu queria ver o último capítulo. Consegui assistir o comecinho, mas o volume da TV estava muito baixo e ficava difícil, pois leitura labial realmente não é meu forte. Mas tentava com todo o esforço possível ouvir os "are babas" e outras coisas ditas ali, mas eis que chega uma turma de argentinos (sem preconceitos, mas só podia, só podia) numa gritaria absurda.

Eles conversavam tanto e sobre tantos assunto e tão rápido e com tanta empolgação e com tanto volume e com tanta vontade de ser ouvidos, que pra mim aquilo era parecido com um show de rock. Um show de rock argentino e ruim, mas com o volume no talo. Com isso tudo, é claro que a minha intenção de assistir o último capítulo da novela já era. Fazer o quê? Teria que assistir a reprise no sábado, caso desse tempo de chegarmos antes da novela ter começado (ou terminado).

Aproveitei o período que convivi com colombianos na pensão em Canoinhas-SC para tentar entender o que diziam ali. Eu entendia algumas pouquíssimas palavras, pois além de eles falarem um pouco diferente dos colombianos, eles não estavam conversando comigo, portanto não falavam devagar e nem repetiam o que eu não entendesse. No geral o que eu consegui entender era algo como:

-Usted sabrionbla que una estatorfjlmaniiuruhfyroepskanirpqrs?
-, pero no mucho!
-Es una heuorkpojodbvlvpioryuepwçslroinasd...
-, , , ... (Aliás: , , , , , , ...)

Realmente não dava pra eu entender. Se eu me esforçasse mais, eles com certeza iam perceber que eu estava tentando ouvir a conversa e provavelmente iriam me perguntar "por que eu tava encarando?" e eu provavelmente não iria entender e teria que encarar ainda mais para tentar entender e no fim das contas a velha rixa entre Brasil e Argentina se transformaria numa nova rixa entre Brasil e Argentina. Isso é realmente algo que eu não queria, pois eles estavam em maior número e com a força que eu tenho em meus músculos, eu já apanharia de um, imagine de quatro. Aliás, quero dizer de quatro argentinos, pois ao dizer que "apanharia de quatro" poderia transformar este post num problema para minha masculinidade.

Comemos aquele arroz, feijão e carne de frango (com carne de boi seria mais caro) e fomos pagar. O Coelho tomou um cafezinho (que não era gratuito) e depois de sermos esfaqueados por aquela conta, resolvemos seguir viagem. Poucos quilômetros (ou metros, perdi a noção de velocidade-espaço-tempo) depois encontramos uma cidade. Entramos na cidade seguimos, seguimos, seguimos, seguimos e eu notei que estávamos seguindo demais. O Coelho também notou isso. De acordo com ele nós "entramos em alguma rua que não devíamos". A viagem já seria longa e com esse pequeno desvio no nosso trecho eu só consegui pensar uma coisa:

-Me fudi! Certeza que não assisto nem a reprise da novela!

Mas calma, amigo leitor. Ainda acontece muita coisa nessa viagem, portanto fique agora com as cenas do próximo capítulo:

"É por ali senhor, me siga!"
"Uma cerração que parecia sólida..."
"Algumas pessoas dormem com silêncio, outras com barulho e outras, como eu, não dormem..."
"Caramba! Nunca pensei que um energético era tão caro."

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O longo caminho para casa...

Eu já estava "desempregado" há quase duas semanas, ou seja, dormia tarde ou nem dormia. Minha insônia é ainda pior quando eu não tenho nada para fazer. O Coelho (nome, aliás sobrenome real do homem que foi buscar a minha mudança para trazer pro Paraná de volta) chegou por volta das 9 da manhã e perguntou se eu havia dormido tarde e eu respondi a única coisa que eu poderia responder naquele momento: "Uuáááá! (Isso seria um bocejo...)" A mudança já havia sido toda preparada por mim, tudo foi organizado por mim, tudo foi lembrado por mim e isso significa que a coisa não estava muito bem feita.

Liguei para um amigo que já havia se oferecido pra me ajudar, o seu Osíris, que veio com toda boa vontade. Quando começamos a colocar as coisas no caminhão, fomos percebendo que muito coisa poderia estar melhor organizada, ou no caso, "estar organizada" para facilitar. Mas mesmo com uma coisinha pra ajeitar aqui e outra pra procurar acolá, conseguimos colocar tudo no caminhão. O Osíris já tinha me ajudado quando a mudança chegou lá e estava me ajudando também na hora de me mandar de volta. Aliás ele está emagrecendo com um regime que ele faz lá à base de carne, muita carne... Pensando bem é um ótimo regime. E pensando bem, isso não tinha nada a ver com o assunto.

Acertei o aluguel da casa, a luz e a água (sou pobre mais sou limpinho) com a mãe do dono da casa que eu estava morando e me despedi. Fui para o caminhão com a clara certeza de que estava me esquecendo de algo. Mas o Coelho deu tempo pra eu pensar, esperou pra ligar o caminhão, perguntou se não faltava nada... Mas só consegui lembrar que tinha esquecido alguma coisa quando andamos uma quadra inteira e eu senti um vento um pouco mais friozinho... "Minha jaqueta, esqueci minha jaqueta, pára, pára, pára (sei que na nova ortografia não tem acento, mas os meus gritos tinham acento sim). Vou lá pegar!" Busquei minha jaqueta com o meu carregador e fone de ouvidos do celular. Tudo pronto para seguir viagem, exceto por um detalhe, ainda tínhamos que pegar outra mudança de um amigo meu que também estava vindo pro Paraná (aliás, acho que aconteceu uma baita debandada de locutores de lá).

Fomos até a casa do Fabinho e no caminho passamos em uma "padaria" que não tinha café, não tinha pão, não tinha molho de pimenta ou qualquer outro molho pra gente por no salgadinho que também não tinha. Acho que a única coisa que tinha na padaria em questão era o nome de padaria. O coelho comprou umas bananas e eu pensei em perguntar se tinha água, só pra ver se ele ia me oferecer da torneira ou pior, iria me dizer que nem tinha água encanada ali. Resolvi ficar na minha, pois como eu não havia me irritado até aquele momento, não havia necessidade de eu me irritar por causa de uma padaria malfadada.

Quando chegamos na casa do Fabinho ele me perguntou pela 12458ª vez se não tinha como ele ir no caminhão junto com a gente e pela 12458ª vez eu disse que "não, pois o limite de pessoas na cabine era 3 e somando eu, o Coelho, ele, a mulher dele e a filha dariam 5 pessoas (já descontado o meu peso e o da filha dele), ou seja, 40% acima do limite permitido, além do fato de criança não poder viajar na cabine do caminhão." Mas era óbvio que ele ainda ia me perguntar aquilo mais tarde na hora em que a mudança estivesse em cima do caminhão. Acho que ele está com amnésia seletiva, ou seja, tudo que eu disser ele vai esquecer, não importa como, quando ou quantas vezes eu disser. Nem dá nada, eu já decorei a resposta mesmo.

Como ele não havia ido me ajudar na minha mudança, eu também não precisava ajudar na dele. A mudança dele era menor, já tinha um companheiro lá pra ajudar, a mulher dele estava lá também e tinha organizado tudo, seria bem mais fácil é claro. Isso foi o que minha mente despreparada para o estilo "fabinhesco" de fazer as coisas pensou. Além de minha mente não estar preparada, eu também estava com um pequeno déficit alimentar por culpa da "padaria" citada anteriormente. Eles realmente começaram a fazer o carregamento sem minha ajuda, mas eis que num momento o cara me chega e diz que vai comprar as passagens de ônibus pra ir pro Paraná.

Sacaram? Ele esperou até o último momento sem comprar a passagem. Ele ainda tinha esperanças que a gente viesse num caminhão com duas mudanças e cabine lotada de gente. Ele realmente achou que aquele caminhão de mudança fosse um veículo coletivo. Além de tudo isso que já seria terrível, ainda tinha o detalhe "maxifabinhesco". Ele ia comprar passagem e a mulher dele não tinha feito o esforço nem de dizer pra ele fazer alguma coisa, imagine se ela ia ajudar a carregar alguma coisa? Ele ia rapidinho comprar as passagens (caso ainda tivesse passagens) e pediu pra eu ir ajudando. Fezes, fezes, fezes!!! Por que eu não consigo ser uma cara rude de verdade, daqueles que diriam pra ele ir se foder e se ele não terminasse de fazer aquela mudança eu ia jogar tudo que estava em cima do caminhão e fosse pertencente a ele no meio da estrada? Por que não sou assim? Fui ajudar e coincidentemente a máquina de lavar que pesa metade do limite permitido para a carga do caminhão estava lá no chão. Estava lá esperando que eu utilizasse minha força para ajudar a levantá-la. Ó vida, ó azar!

Realmente eu deveria ser mal, muito muito muito muito (muito mesmo) mal e deixar aquela máquina por lá. Aquilo era mais pesado que um tanque, e olhe que tanques de concreto são pesados, pois já carreguei alguns em mudanças (com a ajuda de mais alguns parceiros) e de uns tempos pra cá, quando resolvo me mudar vou deixando os tanques pra trás e torcendo para ter na nova casa. Se não tiver a gente dá um jeito e gasta uma graninha que às vezes até sai barato em relação ao peso que não precisamos carregar. Meu irmão sempre se ferrava com esses tanques. Mas ele tem que sofrer mesmo, quem manda ter músculos? As pessoas olham pra ele e pensam: "Esse cara aguenta peso, olha os músculos dele!" Quando olham pra mim pensam: "Coitado do gordinho, certeza que mal aguenta a barriga!"

O problema é que tem certas pessoas "fabinhescas" que não têm esse tipo de noção. E lá fui eu fazer uma força absurda para levantar uma máquina junto com mais alguns "cabras". Coisa de louco. Tenho certeza que se o Coelho não tomasse muito cuidado os guardas iriam parar o caminhão de tão rebaixado que estava. Até imaginei a frase no pára-choque do caminhão dele: "As formigas que se abaixem!"

Quando toda a mudança estava sobre o caminhão eu já tinha certeza que a viagem ia ser boa e com certeza teria muita paz, pois eu já tinha pago todos os meus pecados e não foram nem com minha própria cruz, foram com a cruz "fabinhesca". Mas é óbvio que não foi bem assim. Pagar pecados de verdade tem muito mais sofrimento. Calvário que é calvário de verdade tem todo um caminho a percorrer. Aquilo ali tinha sido só as primeiras chibatadas. Ainda faltava muita coisa até chegar ao momento da crucificação dolorida e provavelmente minha mãe não estaria esperando com nenhum manto, pois ela não iria utilizar um manto branco que ela teria acabado de lavar pra sujar com o meu sangue, suor e lágrimas...

E isso foi só o começo mesmo. Senta que nos próximos posts vem história...

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VIP - Very Important Post...

Esse é aquele post que ficou guardado na gaveta durante muitos dias. Na realidade, a gaveta citada é minha cabeça. Uma gaveta grande arredondada (que se destaca ainda mais por causa da calvicie) e com certeza com alguns parafusos a menos. Esses parafusos a menos apenas fazem com que essa gaveta fique meio sem firmeza, mas não significa que tudo se perde. Algumas coisas caem atrás do armário do cérebro, mas com uma pequena faxina dá pra se recuperar uma grande parte desse material.

E como já faz um bom tempo que eu não posto nada aqui no blog, por causa de problemas profissionais e alguns pessoais também, eu fiquei um longo prazo apenas olhando para o vento e tentando colocar minha vida nos eixos. Se consegui? Acho que não, mas com certeza já está melhor que estava quando eu escrevi o post anterior a quase dois meses atrás.

Tem umas historinhas pra contar, e como cada uma delas dá um post diferente, eu resolvi apenas criar este post de retorno. É um post importante, pois com ele eu espero reinaugurar a minha linha de raciocínio (aliás, esta palavra me deu trabalho para elmbrar como se escrevia) aqui no blog. Não que eu tenha uma "linha" de raciocínio propriamente dita. Minha linha de raciocínio (agora vou aproveitar e escrever várias vezes) é um tipo de linha de crochê que um gato passou e resolveu sair brincando e jogando pra lá e pra cá. Dessa maneira, uma linha que já é enrolada num novelo, se torna toda emaranhada e vira uma bagunça extrema.

Não tenho conseguido levar uma idéia adiante do princípio ao fim com um único tipo de "raciocínio". E quando digo "não tenho conseguido", quero dizer nos últimos 30 anos. Desde que nasci. Me lembro quando escrevia redações na escola. Creio que as professoras me davam notas boas pela complexidade daquele texto tão "elaborado" que elas tinham em mãos. Eu consegui fazer os meus colegas de classe rirem (quando tinha apresentação oral das redações) até quando fazia textos sobre a Semana da Pátria.

Acho aliás que essa falta de coerência no que eu escrevo ou falo, existem desde que nasci. Não posso relatar isso com certeza, mas creio que se todos os bebês que minha família conhecia diziam "gugu dadá", eu com certeza dizia "guda gadu" ou algo assim. Minha mãe diz que eu era muito chorão quando bebê. Acho que isso pode ter alguma razão na minha afamada linha emaranhada de raciocínio. Provavelmente eu chorava de rir de meus próprios pensamentos que eu não conseguia traduzir em palavras, e quando tentava saía no máximo um "pá" ou "má", ou ainda um "acumanananalacumepacossilala" que significava coisas muito engraçadas se fossem traduzidas. Mas hoje em dia isso não vem ao caso.

Esse post de retorno de Jedi... Digo, de Gilgomex, é apenas isso. Um post de retorno. Mas vou tentar organizar a gaveta e a linha de raciocínio para contar como foi minha mudança e minha viagem de volta pra minha cidade e alguns acontecimentos recentes, e até alguns acontecimentos bem antigos mas que estão retornando com força total à minha mente. Acho que é aquela faxina feita atrás do armarinho que está começando a dar bons resultados.


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I'm still alive...

É gente... O blog não está morto (e nem eu)! É que estou num período de transição (fudido e nem mal pago) e acaba não sobrando tempo pra eu escrever alguma coisa por aqui. Internet tem na casa do meu irmão, mas como é gato (a internet.. meu irmão é bonito também, mas não é esse o caso), vive dando problema. Passa mais tempo off que qualquer outra coisa.

Eu queria contar como foi minha viagem da mudança de Santa Catarina pra cá, mas realmente não estou com cabeça para isso. Tenho que arranjar algum trampo e estou começando a descobrir uma coisa muito importante: "Eu não sei pedir emprego!!"

Sempre foi fácil conseguir emprego porque geralmente é em algum lugar que já me conhecem ou simplesmente em algum lugar onde eu apenas mostro meu trabalho e os caras que entendem do assunto me dão o emprego. Mas ter que convencer alguém a me contratar, uma pessoa que entende muito menos que eu do assunto, mas por algum motivo é chefe da coisa é quase impossível pra mim.

Mas vamos ver. Quem sabe nos próximos dias eu encare algum outro tipo de serviço. Aqui na minha região eu realmente sou desprezado pelo meio de comunicação com o qual eu trabalho. Muita gente de fora tem interesse em me contratar, mas por aqui parece que eu tou pedindo esmola. É phoda! Fora que aqui nessa região eles pagam pouco e exigem muito.

Aí você leitor pensa em "porque eu não fiquei onde estava relativamente bem (apesar do coordenador) e vim para esse buraco?" Sei lá! Deve ter alguma coisa a ver com falta de neurônios. Mas tudo se resolve um dia... Assim espero.

Por enquanto vivo as custas do meu acerto e do sensacional seguro-desemprego.

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Stand-upEX: Despedidas...

Estou me mudando de didade de novo e comecei a pensar nas despedidas. Uma coisa que eu tenho certeza é que não se pode despedir de alguém rindo.
(Hahahahaha)
É, porque se você se despede de um amigo ou amiga sorrindo, a pessoa já pergunta:
-Tá feliz em nos abandonar, né?
-Não, é que não precisamos fazer deste moment...
-Fazer o quê? Você nunca gostou da gente! Tá feliz em ir embora... Vai logo, some.
Pronto! Acabou a amizade!
(hahahahahahahaha)

Eu tenho certeza que fiz muitos amigos aqui. Já estou sabendo também que vão fazer uma festa de despedida pra mim... Só não entendi porque vão fazer a festa no dia seguinte da minha partida...
(hahahahahahahaha)
Tenho certeza que muita gente vai chorar na hora que eu for embora... Especialmente da padaria onde eu era cliente, do supermercado onde eu era cliente, da lanchonete onde eu era cliente, do barzinho onde a cerveja custa dez reais e umas meninas que servem...
(hahahahahahahahahahahaha)
Ops, não devia escrever isso aqui. Tou me despedindo da cidade, mas se minha senhora lê isso, eu posso me despedir da vida.
(hahahahahahahahahahahaha)
O pessoal se reuniu pruma carninha assada semana passada e já disseram que de vez em quando eu vou ter que voltar pra cá pra pagar pensão...?
(...)
Eu morei na pensão apenas um mês e vou ter que pagar o resto da vida?
(hahahahahahaha)
Parece que vocês não riem muito com trocadilhos mais... Devo estar perdendo a mão. Mas também, mais de 40 dias longe da mulher, minha mão cansa mesmo.
(hahahahahahahahahahahahaha)
É uma guerra solitária... Apesar de serem 5 contra 1.
(hahahahahahahahahahahaha)
Mas eu estava falando e despedida. Não pode faltar numa despedida, aquela frase idiota: "É dura a dor do parto, mas eu tenho que partir!"
(hahahahahahahahahahahaha)
Pior que as pessoas riem dessa frase. Acho que um pouco por dó da piada ser tão ridícula e um pouco pra não deixar a gente ainda mais sem graça na hora de ir.
(hahahahahahahahahahahaha)
Toda vez que eu vou embora de algum lugar eu procuro levar somente as coisas boas das pessoas que eu conheci... Ou seja, o relógio de um, a carteira de outro, o mp3 de outro...
(hahahahahahahahahahahaha)
Eu já disse pra muitos amigos daqui, que isso não é um "adeus"... É apenas um "fui, vlw aí!"
(hahahahahahahahahahahaha)
Uma das pessoas mais tristes que eu vi nestes últimos dias, foi meu patrão. Não por perder um bom funcionário, mas por ter que morrer numa grana do acerto.
(hahahahahahahahahahahaha)
Ele até disse que se um dia eu voltar as portas estarão abertas... "Mas nem pense em entrar sem avisar a recepcionista".
(hahahahahahahahahahahaha)
Depois que eu pedi as contas o meu ex-patrão (tenho que acostumar com esse termo) já me deu as contas, de brincadeira, umas 50 vezes... Se tivesse um acerto em cada vez que ele me deu as contas, ele já estaria me devendo a empresa toda.
(hahahahahahahahahahahaha)
Essa última foi aquela piada que nasceu pra ser ruim... E eu ainda consegui a façanha de deixá-la pior.
(hahahahahahahahahahahaha)
Tenho certeza que se o "mestre" (um radialista antigão daqui) fosse na minha despedida, como ele está todo amigão meu ultimamente, diria algumas poucas palavras em coisa de 2 horinhas...
(hahahahahahahahahahahaha)
"Este rapaz, este grande comunicador, este garoto cujo nome neste momento me escapa a lembrança, nos deixará muita saudade. Ele que, apesar de ter começado a pouco aqui na empresa, já entrou nos anais desta família radiodifusora..." E por aí vai.
(hahahahahahahahahahahaha)
Já o coordenador-deus-todo-poderoso-grande-chefe-sábio-progressista-eticetérico, está louco pra eu ir embora logo. Mas se estalou ou não, o problema é dele...
(hahahahahahahahahahahaha)
Falando em despedidas, é com lágrimas nos olhos...
(mentiraa)
...é com um sorriso no rosto...
(mentira)
Ó, tou indo. Fui.
(hahahahahahahahahahahaha)

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O mundo da velocidade...

O Jeffinho Tattow é meu conhecido já faz um tempo. Nunca bateu bem da cabeça, mas atualmente ele vem se superando. Agora ele e o Fabbaum (outro conhecido) resolveram se arriscar no mundo da velociade em duas... Digo, 3 rodas!!! Vejam aí:



Ele é um dos melhores tatuadores que eu já vi (com certeza o melhor que eu conheço) e eu estou há quase 10 anos planejando e criando coragem de fazer a minha primeira tattoo... Um hora dessas crio vergonha coragem e faço.

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A arte de estar só... Com um microondas...

A mais de um mês minha senhora e eu viajamos lá pro Paraná. Ficamos com algumas indecisões sobre voltar ou não pra cá, e de fato ela ficou lá e arranjou emprego e eu estou à caminho. Mas tínhamos a previsão de ela ficar uns 20 dias lá e vir ou eu ir logo. No fim já fazem mais de 45 dias que eu estou me virando sozinho como dono de casa. Esta situação já ocorreu uma outra vez, no final do ano passado, mas foram 10 dias, mas 45??? Tive que me adaptar de verdade a vida de homem "solteiro"... Quinta-feira passada eu descobri a pólvora que dá pra fazer miojo no microondas!!

Eu tenho microondas desde que me casei, mas não tinha aprendido a mexer com ele de verdade. Um pouco por preguiça e falta de necessidade mesmo, já que minha senhora que faz a comida. Mas desde o começo do ano pra cá eu resolvi entrar neste mundo moderno dos alimentos congelados. Aprendi a mexer com uma coisinha e outra ali, para fazer uns nuggets e uns nuggets e vez outra... Uns nuggets. Geralmente nuggets da Turma da Mônica.

Mas desta vez eu tive que me adaptar de verdade. Resolvi utilizar outros cardápios congelados. Agora faço lasanha (testei Sadia, Perdigão e uma caseira que tinha lá no mercado) e me dei bem com as 3, apesar de o tempo descrito na embalagem (14 minutos) não ter dado certo pra nenhuma das 3... Todas pediam potência média e 14 minutos, e eu deixei na potência máxima, por uns 20 minutos, pois antes deste tempo ficam frias.

testei vários tipos de "empanadinhos", como da Perdigão, Sadia e etc... Todos deram muito certo. Mas também fui totalmente na contramão do que vinha especificado na embalagem. Dois minutinhos, daí vira e tals... Nada disso! Coloquei duas caixas de cada vez numa "tapué" própria para o microondas e deixei lá por 5 minutos, daí ia lá, dava uma chacoalhada na "tapué" e deixava mais 4 minutos. Ficou bom. Sou um grande chef de cozinha.

E seguindo meu velho (não tão velho, já que mexo com o equipamento há pouco tempo) de não seguir a regrinha básica do que vem especificado na embalagem, fui fazer miojo. Sim! No pacotinho estava escrito para colocar 300 ml de água junto com o macarrão instantâneo, deixar por 5 minutos, dando uma pausa na metade deste tempo para mexer o macarrão, e depois dos 5 minutos adicionar o tempero e blá blá blá...

Bem, eu sempre faço dois de cada vez (tenho que manter minhas curvas arredondadas). Então seriam 600 ml e blá blá blá... Maaaaaas eu não faço miojo desse jeito nem no fogão a gás. Gosto que o tempero ferva junto com a água, então vamos ao jeito que eu preparei (e ficou bom).

Peguei uma "tapué" azul em que cabem uns dois litros de água. Despejei o tempero dos dois pacotinhos de miojo, mais um caldo em pó, mas a "mastomate" (extrato de tomate), mas uns picadinhos de salsicha (que o povo daqui chama de "vina", mas eu só aceito o que está escrito na embalagem), um pouco de milho verde e coloquei por volta de 1 litro de água. Se para 300 ml seriam 5 minutos, para 600 seriam uns 10... Para um litro coloquei 15. E já coloquei o macarrão junto. Ficou lá esquentando e cozinhando tudo no micro. Quando apitou o aparelho eu fui ver que ainda estava cru o macarrão. Ok, aproveitei para mexer porque já estava molinho, mas ainda cru, e deixei mais 10 minutos.

Passados este 10 minutos o macarrão estava pronto. Foram 25 minutos para ficar pronto, mas eu nunca consegui comer um miojo que tivesse levado apenas 3 minutos para ficar pronto após colocar na água fervendo, fervura essa que sempre demora uns 15 minutos também, ou seja, foi praticamente o mesmo tempo que utilizo normalmente. Mas daí vêm as vantagens... Utilizei apenas "tapué", não precisei de panela e nada mais para o cozimento e também não tirei da vasilha em questão para colocar num prato, comi ali mesmo. O que sobrou, eu apenas esquentei no dia seguinte no próprio microondas.

Além do fato de ser muito simples lavar a "tapué" do que uma panela. Não gruda, não fica preta embaixo e nada disso. Lavei em poucos segundos sem precisar nem encostar num Bom Brill (esponja de aço), que é algo que me dá uma gastura absurda.

Também já fiz mingau de maisena (procurem no dicionário pra ver se não é com "s" mesmo), pipoca, já esquentei leite com chocolate, requentei comida que veio num marmitex e realmente estou apto a conviver muito bem com um microondas.

Na quinta-feira eu aprendi a fazer o miojo no microondas o que se tornou o teste supremo... Até agora! Pois enquanto eu escrevia este post tive uma outra idéia que pode dar certo... Ou dar muita merda. Amanhã vou tentar fazer café no microondas. Nos próximos dias direi num novo post o resultado deste novo desafio!

Conversando com meu irmão eu disse pra ele como eu poderia viver hoje em dia se eu fosse solteiro. Em um apartamento com apenas duas peças... Um cômodo médio e um banheiro. Itens essenciais para esse meu "lar" seriam: geladeira, microondas em cima da geladeira, um colchão no chão, a TV dum lado e um notebook do outro.

Daí teriam apenas dois outros itens para me preocupar... Roupas e gibis! Mas isso é fácil de resolver. Roupas e gibis ficam espalhados pelo quarto como já é costume e quanto a lavar e passar, é só pagar pra alguém fazer isso.

Quero dizer que não tenho a mínima vontade de me separar de minha senhora, mas sempre é bom estar prevenido. Pois no meu primeiro casamento eu não estava prevenido e só fiz coisa errada quando me separei... Inclusive casei de novo.

PS: Brincadeira tá Regi? Te amo! Dia 09 é aniversário de nosso casamento. Estamos planejando ir comemorar num motel... O duro é pagar uma hora inteira e não saber o que fazer nos 59 minutos restantes.

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